Meu interesse pelo Evangelho de Tomé não começou numa biblioteca. Começou no deserto.

Em 2010, estive em Qumran, próximo ao mar Morto. Diante das montanhas, das ruínas e das cavernas, pensei nos manuscritos que atravessaram tantos séculos e nas perguntas que sobreviveram às pessoas que os escreveram.

Os Manuscritos do Mar Morto não contêm o Evangelho de Tomé. Foi ali, porém, que nasceu em mim o desejo de conhecer os textos antigos que permaneceram fora das leituras mais conhecidas.

Desde então, percorri outros caminhos. Li diferentes traduções, conheci estudos históricos e me aproximei das obras de Jean-Yves Leloup. Participei também de duas imersões conduzidas por ele, dedicadas ao estudo, à meditação e à escuta desses textos.

Agora, esse percurso começa a se transformar em livro.

Estou trabalhando os 114 ditos do Evangelho de Tomé, um a um. Já concluímos os sete primeiros.

Em cada dito, examinamos o texto copta, os fragmentos gregos existentes, as diferenças entre as traduções, os paralelos com os evangelhos canônicos e as interpretações apresentadas por diferentes pesquisadores.

Não pretendo transformar Tomé num quinto evangelho canônico. Também não quero apresentá-lo como uma verdade secreta deliberadamente escondida pela Igreja. Sua história é muito mais complexa.

Meu propósito é aproximar dois caminhos: o estudo e a espiritualidade.

A pesquisa nos ajuda a não atribuir ao texto aquilo que ele nunca afirmou. A espiritualidade nos impede de tratá-lo apenas como uma peça antiga, sem vida e sem voz.

Quando houver divergências, elas serão apresentadas. Quando uma palavra admitir mais de uma tradução, examinaremos as possibilidades. Quando não soubermos, reconheceremos os limites do nosso conhecimento.

Mas também faremos uma pergunta essencial:

O que essas palavras ainda podem dizer a nós?

Tomé fala do Reino, da luz, do conhecimento de si, da unidade, da pobreza e daquilo que permanece escondido. Seu Jesus não oferece apenas respostas. Ele chama o leitor a procurar.

Este novo livro nasce dessa procura.

Não da certeza de quem encontrou tudo, mas da disposição de quem continua caminhando.

Quem procura, não cesse de procurar até encontrar.

Quero compartilhar com vocês parte dessa caminhada. Se esse tema também desperta suas perguntas, acompanhe este trabalho pelos 114 ditos do Evangelho de Tomé.

Henrique Chagas

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Evangelho de Tomé, meu novo livro
Evangelho de Tomé, meu novo livro

Henrique Chagas

Henrique Chagas, palestrante, instrutor, mediador de conhecimentos, escritor, advogado e gestor na área jurídica. Cursou pós-graduação em Direito Civil e Direito Processual Civil e fez MBA em Direito Empresarial pela FGV. Leia mais em "Sobre Mim".

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