Todas as fontes utilizadas na elaboração de Tavares Terra estão identificadas no próprio livro. Neste espaço, entretanto, pretendo disponibilizar aos leitores seleções comentadas de documentos, estudos e acervos que permitam confrontar as afirmações da obra e aprofundar alguns de seus temas. Sempre que houver autorização e acesso público, serão incluídos links para consulta ou download dos documentos digitalizados.

Esta nova seleção não repete as fontes apresentadas anteriormente, como os Registros Paroquiais de Terras nº 516, 518, 519 e 520, Boca do Sertão, os estudos de Sobreiro Filho, O Paranapanema e a documentação da Fazenda Monte Alegre. O objetivo agora é avançar sobre um problema específico: as etapas anteriores da migração de José Theodoro de Souza e das famílias ligadas aos Tavares Terra.

  • Coletânea da Academia Botucatuense de Letras — 45 anos, digitalização publicada em 2026. O PDF disponibilizado pelo acervo Histórias de Botucatu contém uma narrativa detalhada da penetração mineira: menciona famílias procedentes de Alfenas, tropeiros mineiros ligados à feira de Sorocaba, passagem por Mogi Mirim e chegada da comitiva de José Theodoro de Souza a Botucatu por volta de 1851. (Histórias de Botucatu). Em pesquisas nos acervos das igrejas, constatamos que os mineiros chegaram bem antes de 1850, o próprio historiador Celso Prado demonstra isto, o que também narro no livro Tavares Terra.
    Abrir a coletânea digitalizada
    Por que importa: oferece uma trilha geográfica concreta: Sul de Minas → Mogi Mirim → Botucatu → Paranapanema; que pode ser confrontada com os deslocamentos dos Tavares Terra. É fonte secundária, portanto os nomes e datas devem ser rastreados até os documentos utilizados pelos autores. Destacamos que alguns dos Tavares Terra chegaram em 1842 em São João da Boa Vista, SP.
  • Registros eclesiais de São João da Boa Vista, 1837 e 1842: nova referência documental localizada. Pesquisa documental recentemente identifica José Theodoro de Souza e Francisca Leite da Silva (prima de João Tavares Terra) como residentes em São João da Boa Vista já em 6/10/1837; registra ainda o nascimento/batismo da filha Agostinha Maria Theodora de Souza ali, em 1842. A mesma investigação remete aos livros eclesiais digitalizados utilizados para a identificação. (Sato Prado E-book)
    Consultar a referência documental e a biografia crítica
    Por que importa: uma pista de primeira ordem para Tavares Terra, pois desloca o foco da migração: José Theodoro de Souza, com alguns dos Tavares Terra, aparentemente já estava na Província de São Paulo em 1837, muito antes da entrada no Vale do Paranapanema. Isso permitiu investigar que familiares Tavares/Theodoro fizeram o mesmo percurso e em que momento suas redes migratórias voltaram a convergir.
  • Testamento e Inventário de José Theodoro de Souza, 1875–1885, referências processuais mais precisas. A compilação documental identifica o testamento de 22/06/1875, as primeiras declarações da inventariante Anna Luiza de Jesus (segunda esposa) de 23/09/1875, testemunho do padre Francisco José Seródio (padre que merece uma biografia) de 1877 e a remessa do processo ao Tribunal da Relação em 1882. A decisão final teria ocorrido em 17/07/1885, posteriormente reproduzida no Diário Oficial de 16/03/1938. (Sato Prado E-book)
    Consultar a transcrição e referências do inventário
    Por que importa: este processo é muito importante para a História Regional não apenas por estabelecer a morte de José Theodoro de Souza. Ele contém herdeiros, relações familiares, credores, procuradores, patrimônio e depoimentos de testemunhas, permitindo reconstruir a rede social do personagem em Campos Novos Paulista. A fonte ainda indica conflitos envolvendo João da Silva e Oliveira, que precisam ser examinados no processo original antes de qualquer conclusão.
  • Registro da Secretaria dos Negócios da Agricultura — Fazenda Dourado e Fazenda Capivari, 1872–1873. Uma referência documental ainda não usada nas seleções anteriores aponta para registros da Secretaria da Agricultura de 1903. Para a Fazenda Dourado, 6.000 alqueires, aparece uma certidão de registro paroquial de José Theodoro e escritura de 2/08/1872; para a Fazenda Capivari, 1.000 alqueires, consta escritura pública passada por José Theodoro em 24/09/1873. (Celso Prado Razias)
    Consultar as referências documentais das fazendas
    Por que importa: são evidências capazes de acompanhar a fragmentação da grande posse nos últimos anos de José Theodoro de Souza. A Fazenda Capivari interessa especialmente porque está situada na região de Conceição de Monte Alegre (hoje distrito de Paraguaçu Paulista), território diretamente relevante à expansão posterior das famílias mineiras.
  • Escritura de doação do patrimônio de São José dos Campos Novos — 1868. A Diocese de Ourinhos disponibiliza uma referência bastante específica: José Teodoro de Souza e Francisca Leite Souza teriam feito em 1868 doação de terras para formação do patrimônio religioso, com escritura pública lavrada em Santa Cruz do Rio Pardo. (Diocese de Ourinhos)
    Consultar a referência histórica da Diocese de Ourinhos
    Por que importa: aqui existe uma questão documental a resolver. A data de 1868 e a identificação da esposa precisam ser confrontadas com a cronologia familiar e com a escritura original. Se localizada, a escritura poderá identificar confrontações, testemunhas e eventualmente outros integrantes da rede de parentesco: elementos muito mais valiosos que a simples informação sobre a fundação da capela.

Achado prioritário

O dado que investigado primeiro foi São João da Boa Vista, 1837–1842. Ele abriu uma etapa anterior pouco explorada da trajetória de José Theodoro de Souza. Em termos de pesquisa surgiu um corredor que vale reconstruir documentalmente:

Sul de Minas → São João da Boa Vista → Mogi Mirim → Botucatu → Vale do Paranapanema.

Ao cruzarmos os livros paroquiais dessas localidades procurando simultaneamente José Theodoro de Souza, seus irmãos, cunhados, compadres e os Tavares Terra, verificamos algo fundamental para o argumento de Tavares Terra: se a diáspora mineira para o Paranapanema foi uma migração relativamente direta ou uma migração em etapas, sustentada por redes familiares que se recompunham sucessivamente ao longo da fronteira paulista.

Essa me parece, neste momento, uma das linhas de investigação com maior potencial para produzir material realmente novo para uma futura edição ou complemento documental do livro Tavares Terra.

Mapas da migração mineira ao sertão paulista
Mapas da migração mineira ao sertão paulista


Henrique Chagas

Henrique Chagas, palestrante, instrutor, mediador de conhecimentos, escritor, advogado e gestor na área jurídica. Cursou pós-graduação em Direito Civil e Direito Processual Civil e fez MBA em Direito Empresarial pela FGV. Leia mais em "Sobre Mim".

0 Comments

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *