Lista de outras pistas documentais
1. Registro Paroquial de Terras de Botucatu nº 516 — José Theodoro de Souza, Rio Turvo, 31/05/1856. Uma nova indexação permite chegar à referência arquivística precisa: AESP, RPT/BTCT nº 516, fls. 169v–170a. A descrição coloca a posse desde o Rio Turvo, atravessando o Rio Pardo e alcançando o Paranapanema, e José Theodoro de Souza declara tê-la ocupado em 1847.
Consultar a referência documental e transcrição
Por que importa: é provavelmente a prioridade nº 1. O RPT 516 complementa os registros 518–520 já identificados e permite reconstruir o conjunto territorial declarado por José Theodoro de Souza em 1856. Para o livro Tavares Terra, interessou-me especialmente confrontar essa declaração de ocupação em 1847 com a cronologia efetiva da entrada no sertão.
2. Revista de Informação Legislativa — estudo jurídico sobre os registros de José Theodoro de Souza. Um volume agora indexado digitalmente pela biblioteca jurídica do STJ discute expressamente um registro realizado em Botucatu por José Theodoro em 30 de maio de 1856 e a controvérsia posterior: a Fazenda estadual contestava a eficácia desses registros porque não teria ocorrido o processo posterior de legitimação.
Consultar o volume digitalizado
Por que importa: acrescenta uma dimensão jurídica importante à narrativa. O registro paroquial não deve ser automaticamente tratado como título de domínio. Isso permite explicar com maior precisão a diferença entre posse declarada, registro do vigário, legitimação e propriedade: fundamental para compreender a ocupação fundiária do Paranapanema.
3. Processo documental envolvendo José Theodoro de Souza → João da Silva e Oliveira → Justiniano Ferreira Dias → João Baptista Botelho. Uma documentação sobre regularização fundiária registra uma alegada aquisição de cem mil alqueires por João da Silva e Oliveira — cunhado e procurador de José Theodoro, datada de 1853, seguida de alienação a Justiniano Ferreira Dias em 1864 e traslado em 1898. A própria fonte chama atenção para problemas de razoabilidade e para o contexto posterior de legitimações e grilagem.
Consultar documentação e referências arquivísticas
Por que importa: abriu uma frente nova para o livro: acompanhar o que aconteceu com as terras atribuídas a José Theodoro depois da primeira ocupação. Pode revelar redes de parentesco, procurações, intermediários e especulação. A transação de 1853, porém, deve permanecer como hipótese documental a verificar no original, não como fato genealógico ou fundiário consolidado.
4. Assembleia Legislativa de São Paulo — Biografia de Júlio Prestes. O volume digital da ALESP recupera um dado particularmente interessante para o eixo da diáspora mineira: após José Theodoro trazer familiares e amigos para suas terras, o Paranapanema teria também recebido integrantes do 11º Batalhão de Voluntários da Pátria, formado por soldados de Minas Gerais em 1865, ao mesmo tempo em que aumentava a chegada de famílias mineiras.
Consultar o livro digitalizado na ALESP
Por que importa: uma pista excelente para testar documentalmente a narrativa da migração coletiva mineira. Em vez de uma única “caravana”, podemos estar diante de fluxos sucessivos de mineiros, compostos por parentes, conhecidos e, posteriormente, veteranos da Guerra do Paraguai. Não aconteceu um único yellowstone caipira, foram várias caravanas, que duraram até 03 meses para virem de Minas Gerais ao sertão.
5. Arquivo Público do Estado de São Paulo — RPT de Botucatu + Diário Oficial, ação divisória de Ilha Grande. Outra referência indexada relaciona José Theodoro ao sistema de posses articuladas com Bernardino José de Campos e Florêncio José Rodrigues e aponta diretamente para duas séries primárias: AESP RPT/BTCT nº 516, fls. 169v–170a e Diário Oficial de SP, 03/08/1909, pp. 23–24, relativo à ação divisória entre condôminos da Ilha Grande.
Ver referências e transcrições que conduzem aos documentos
Por que importa: a ação divisória de 1909 é especialmente promissora porque processos desse tipo costumam preservar cadeias dominiais, nomes de antigos proprietários, confrontantes e transmissões sucessivas. Isso pode permitir seguir documentalmente a transformação das posses pioneiras em propriedades disputadas décadas depois.
Prioridade para Tavares Terra
Eu concentrei em um único problema: reconstruir documentalmente a rede de José Theodoro de Souza entre 1847 e 1865. O núcleo seria RPT 516 + 518–520 → João da Silva e Oliveira → famílias mineiras que chegam ao Paranapanema → eventual participação dos Voluntários da Pátria.
Isso permitiu testar uma questão central do livro: os Tavares Terra vieram simplesmente “com José Theodoro de Souza”, ou integravam uma rede mineira de parentesco, compadrio e vizinhança que já existia em Minas e foi transplantada progressivamente para o sertão paulista? A segunda hipótese é historicamente mais rica, mas precisou ser demonstrada por casamentos, batismos, procurações, escrituras e confrontantes, não apenas por tradição familiar. O estudo da genealogia foi muito importante para conhecer as conexões familiares e de compadrio existentes.
As pesquisas que fizemos, portanto, sairam das fontes narrativas e focaram principalmente nos documentos nominais de Pouso Alegre, Campanha, Consolação/Capivari, Botucatu e São José do Rio Novo entre 1840–1870. Foi ái que encontramos conexões entre Tavares Terra, Tavares da Cunha, José Theodoro de Souza e demais famílias da diáspora mineira. Basta dizer que José Theodoro de Souza e seus dois irmãos se casaram com três filhas de José Tavares da Cunha, irmão de Manoel Tavares Terra.
Saiba mais sobre Tavares Terra.


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